via a vida passar-me diante dos olhos, e eu, parado, nada fazia para a agarrar. era como uma trilha sonora, calma e envolvente, e eu não a queria desperdiçar. hoje, olho para trás, com saudade e paixão, mas não consigo deixar de sorrir. as brincadeiras próprias da idade, os "para sempre", os risos, a felicidade.
e então; eu olhei para ti, e depois de todas as minhas forças se terem esgotado, eu consigui ser forte. perco a minha respiração, não há mais que lutar, não há mais pensamentos por surgir, nem palavras por ouvir.
vendo tudo isto,
sei que não posso desistir, negar-te-ei esse prazer.
tu - como que - estás do outro lado do mundo, e ainda assim, mesmo depois de tudo, eu consigo sentir-te. porque, posso dizer tudo o que quiser; porém não posso negar os sentimentos. os anos, passaram a correr, e nós, parados, nada fazíamos para os agarrar.
eras tu e eu, eu e tu;
só. as tuas expressões diziam tudo, e eu, vivia disso. vivia por ti, sem muitas vezes aperceber-me da realidade. estava cego, e era preferível assim. quando estava (assim) mais longe, e tu também, percebia que não podia abdicar disso, e voltava outra vez ao início. hoje, presente, sei que é o fim. um fim que nunca devia ter existido. posso enganar-me e pensar que só se deixar, é que acontecerá. sei que é mentira e, com um riso sarcástico, digo isso. abano a cabeça, e pergunto-me "porquê". se nunca te tivesse visto naquele dia, era tudo diferente.
estou tão agarrado a ti, e no entanto tão longe. o que aconteceu ao nosso amor, que um dia foi tão forte e apenas pensávamos no "para sempre"?
sinto-te, agora, distante. perdi - talvez - aquele brilho nos olhos, e tu... tu pareces mentir-me. todas as tuas palavras parecem forçadas, e tudo o que dizes parece mentira.
a verdade, é que nunca fui tão feliz. e, por vezes, não me apercebia. e se pudesse ver tudo de novo, sei que não conseguiria evitar a lágrima no canto do olho, ou o sorriso tolo. a verdade, é que não somos perfeitos, mas colmatávamos isso, e agora? nada.
fugir, esconder, sofrer, neste momento, não resolve nada.
vou ver-te sempre que me olhar. és o meu tal de "espelho da alma", e, por mais que os anos passem, não deixarás de o ser.
e isto é o
fim, é o fim do
"para sempre".