domingo, 27 de setembro de 2009

skin on skin


parece que não me vês. estou bem presente, mas distante. consegues ser tão fria que até arde; mas não consigo evitar.
tive-te uma vez na vida e, tão cedo, não voltarei a ter-te. nunca, é a palavra mais adequada; mas estou bem ... digo eu. aliás, tenho que estar. não posso estar senão de outra maneira, simplesmente não posso. porque, não neste, mas no outro mundo tudo tem de estar bem. e quando nos questionam, é isso que tem de ser. o coração partido tem de se transformar num sorriso doce e inocente.

***

éramos tão corpo a corpo que já estava moldado à tua forma. e não me movia, não o desejava. era o melhor. e, há um tempo, pensava eu, ter o melhor dos dois mundos.
só Deus sabe o quão eu estava enganado. eu não adivinho, nem fui à bruxa para ela tentar adivinhar a minha sina.
ontem decidi encontrar-me com vocês, porém hesitei. posso dizer que me proporcionaram momentos que recordarei para sempre. não experimentámos nada de novo, nada de diferente; apenas as mesmas coisas - que antes, chamadas de rotina - eram agora um ponto de encontro para a felicidade, mas é óbvio que não reparámos no momento. porque, para vocês (e todos os outros) sou apenas mais um. e todos são um, para mim. podia ouvir o bater das ondas, na praia, todos os dias, todos os segundos sem cessar, desde que isso me lembrasse o quanto eu já fui feliz neste dito mundo. hoje não me importa o futuro, ou não importava. não consigo ver a vida da mesma forma, apesar de o parecer. não foi assim que me educaram. mas esses, que o fizeram, foram, talvez, os que mais me pressionaram, e eu acabei por ceder. cego de tudo que me rodeava. arrepender-me-ia de qualquer que fosse a minha decisão.
pensava poder conciliar tudo, mas falhei. como é irónico o destino: precisamos de nove meses para gerar vida. uma pequena parte dela, mas apenas uns dois segundos a destruí-la. não só a do que intervém, mas directa ou indirectamente de todos que rodeiam.
já ouviste falar no karma? bem, eu acredito piamente, embora não seja budista nem tenha qualquer crença religiosa; no entanto, nunca pensei que "injustiça" estivesse associada ao seu significado. é ridículo estar agora a culpar actos divinos, mas fui forçado.
o orgulho que engulo todos os dias, é derramado à noite, que é a altura, que estou ainda mais só. porventura, acompanhado pelos pensamentos e ideias que surgem, é nessa altura que desejamos o altruísmo, esquecemos o narcisismo e/ou vaidade, esquecemos as diferenças, somos (os) únicos no Mundo; e, acima de tudo, somos nós próprios. somos quem quisermos!

1 comentário:

Marta H. disse...

Let's be who we want to be :)